Brizola nasceu em 22 de janeiro de 1922, numa casa rústica de madeira
construída pelo próprio pai na localidade de Cruzinha, hoje pertencente
ao município de Carazinho, no Rio Grande do Sul. Filho do tropeiro José
Brizola e de Dona Oniva de Moura, foi o caçula dos cinco filhos –
quatro homens e uma mulher. Ainda criança, pouco mais de um ano, perdeu o
pai assassinado por uma coluna governista quando este retornava para
casa ao final da Revolução de 23, onde lutara ao lado dos maragatos
contra a autocracia de Borges de Medeiros. Coube à mãe Oniva a educação
dos cinco filhos, todos alfabetizados por ela. A situação de pobreza
tornou-se ainda mais grave depois da família perder em juízo a posse das
terras e da casa. Oniva casou-se com João Gregório Estery, um colono
vizinho, também viúvo e com mais seis filhos; e todos se mudaram para o
povoado de São Bento.
O menino Leonel deixou a casa da mãe depois do casamento da irmã mais
velha, Francisca, acompanhando-a para Passo Fundo. Ali, matriculou-se
na escola primária e passou a ajudar o cunhado no açougue, entregando
carne aos fregueses. Aos 10 anos, Leonel foi levado por um amigo da
família para Carazinho, onde passaria a morar num sótão de hotel a fim
de trabalhar e continuar os estudos. A luta pela sobrevivência levou-o a
exercer as mais diversas atividades: lavou pratos em troca de casa e
comida, foi engraxate, vendedor de jornais e carregador de malas até
conseguir um emprego numa serraria, onde marcava tábuas.
A primeira casa razoavelmente confortável que conheceu foi a do
pastor metodista Isidoro Pereira e de sua mulher Elvira que,
sensibilizados com o esforço do menino, decidiram abrigá-lo. Deram-lhe
um quarto, roupas e o matricularam no colégio da Igreja Metodista.
Brizola adotou essa religião, converteu a mãe e vários colegas. Quando
tinha 14 anos, após conseguir do prefeito de Carazinho uma passagem de
2a. classe e uma carta de recomendação para o diretor da Escola
Agrícola, ele se transferiu, para Porto Alegre para estudar. Mais uma
vez teve que trabalhar duro, primeiro como trocador de moedas, depois
como ascensorista, enquanto aguardava ingresso na Escola Agrícola de
Viamão, uma espera que durou vários meses. Ao lhe pedirem a certidão de
nascimento, para a matrícula, descobriu que ainda não era registrado.
Brizola morou no próprio prédio da escola durante todo o curso e,
depois de obter o diploma de técnico rural, aos 17 anos, foi novamente
obrigado a procurar trabalho, empregando-se como operário auxiliar de
montagem numa refinaria. Depois de completar 18 anos, fez um concurso
para fiscal de moinhos do Ministério da Agricultura. Foi aprovado, mas
pouco tempo depois pediu demissão para voltar a Porto Alegre, onde foi
trabalhar como jardineiro da Prefeitura. Só então, pode cursar o ginásio
e o colegial, estudando a noite na maior escola pública do Rio Grande
do Sul, o Colégio Júlio de Castilhos.
Brizola prestou serviço militar na Base Aérea de Canoas e conseguiu
depois se formar piloto privado. Entre a carreira na Varig e o curso de
Engenharia, optou pelo segundo.
Extraído de: http://www.pdt-rj.org.br/paginaindividual.asp?id=112


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